Entre a cheia e a calmaria: as duas faces do Rio Gravataí


Nos últimos dias, a chuva voltou a colocar o Rio Grande do Sul em estado de atenção. Em Gravataí, equipes acompanham o nível do rio e monitoram as áreas mais suscetíveis a alagamentos, enquanto muitas famílias vivem a expectativa de dias difíceis, acompanhando os boletins e torcendo para que a água não avance sobre suas casas.

Minha atuação profissional me coloca diante de duas realidades opostas do rio Gravataí.

Enquanto psicóloga, atuando na área da assistência social, acompanho famílias que precisam deixar suas casas às pressas, levando apenas o essencial ou, muitas vezes, deixando tudo para trás, sem saber quando poderão retornar, por conta do rio que, em seu momento bravo, avança sobre as ruas, alcançando muitas residências.

Quando a natureza mostra a sua força, ela nos lembra que os rios merecem respeito. Eles seguem seu curso, ocupam espaços e respondem ao volume de chuva que recebem. Para quem vive próximo às margens, esse período é de preocupação, solidariedade e esperança de que tudo passe sem maiores danos.

Já, enquanto profissional de turismo, meu olhar se volta para uma outra face do rio. É o mesmo rio que, em dias de céu azul e águas tranquilas, convida a desacelerar. À sua beira, o chimarrão parece durar mais; os passeios de barco revelam novas paisagens, e a natureza mostra um lado de Gravataí que muitos ainda desconhecem.


Passeio de barco no rio Gravataí

É curioso como um mesmo cenário desperta sentimentos tão contraditórios. Em alguns momentos, ele exige cuidado e vigilância. Em outros, oferece paz, história e experiências inesquecíveis para moradores e visitantes.

Mais do que admirar o rio Gravataí nos tempos de calmaria, precisamos compreender o papel que ele desempenha em nosso território. Entender que preservar os rios, cuidar das matas ciliares, evitar o descarte irregular de lixo e ocupar o território de forma responsável são atitudes fundamentais para reduzir os impactos das enchentes e garantir que as futuras gerações também possam desfrutar desse patrimônio natural.

Sustentabilidade não é apenas um conceito, mas uma escolha diária que começa com pequenas atitudes e se reflete na forma como cuidamos da cidade e da natureza. Quando preservamos o rio, preservamos a nossa história, a biodiversidade, o turismo e a qualidade de vida de toda a comunidade.

No momento em que escrevo este texto, o rio Gravataí já transbordou em decorrência das fortes chuvas. Mas o sol voltou a aparecer, trazendo consigo a esperança de dias mais tranquilos. Que este período de atenção passe logo e que, em breve, possamos reencontrar o rio em sua versão mais serena: conduzindo passeios, aproximando pessoas e convidando à contemplação de toda a beleza que ele oferece.


Comentários

  1. Maravilha de texto! Importante reflexão sobre o rio Gravataí. Parabéns!

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