2019: Algumas reflexões sobre o ano, as viagens e a vida


Último post do ano. E que ano! Se eu tiver que escolher uma palavra para definir meu 2019, eu escolho CORAGEM. 2019 foi um ano de tomar decisões, de fazer escolhas que modificaram totalmente a minha vida e que me fizeram sentir mais forte, foi um ano de grandes aprendizados, de definições e de indefinições, de me jogar para o novo, de incertezas, mas ao mesmo tempo, de estar consciente que os caminhos escolhidos me levaram – e continuam levando – para mais perto daquilo que quero e acredito.

Foi um ano de mudanças de visão sobre muitas coisas, incluindo as próprias viagens. Acredite, me dei conta até de que eu comecei a levar o ato de viajar de uma forma diferente. Antes, viajar, pra mim, era uma necessidade. Eu precisava viajar, sair por aí, me aventurar... Tinha necessidade de todo mês fazer alguma viagem diferente, conhecer um lugar novo, como se eu tivesse urgência, pressa em conhecer outros lugares. Hoje, levo tudo com mais calma.

Uma vez, em uma palestra que participei sobre psicanálise e viagens, uma das ministrantes fez referência a uma frase de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, que dizia que as pessoas viajam para fugir de si mesmas. Freud era um viajante e muitas de suas teorias foram criadas a partir de suas experiências em viagens que realizou. Nunca achei, pelo menos de forma consciente, que essa frase se encaixasse em minha vida, mas, de alguma forma, ela me chamou atenção.

Por muito tempo, eu senti essa necessidade de sair da rotina, de me afastar do que não estava tão bom, ou seja, acredito que, algumas vezes, acabava viajando como uma forma de fugir de algumas partes de mim mesma. Porque viajar nos leva a sair do nosso mundo por um tempo e confesso que, em alguns momentos, era melhor viajar, esquecer o meu mundo, deixar algumas decisões para depois e só voltar a pensar nisso quando voltasse. Não é uma boa maneira de resolver as coisas, pois tão logo começava a retornar de uma viagem, já começava a sentir o peso do que havia deixado para trás naquele período de tempo.

Viajar dessa forma só permite o afastamento temporário daquilo que é necessário pensar ou resolver. Eu sempre tive consciência de que, ao voltar de uma viagem, a minha realidade, ou aquilo de que queria me afastar, permaneceria ali, me aguardando.

Então, esse foi o ano que comecei a questionar: do que adianta adiar decisões? O quanto eu tenho estado satisfeita com a realidade que eu crio? O quanto eu tenho usado as viagens como uma necessidade de satisfazer ou fugir de determinadas situações? A minha vida é muito mais o que vivo quando estou aqui onde moro ou o que estou fazendo quando estou viajando por aí? Foram muitos os questionamentos que me fizeram pensar e tomar decisões de extrema importância na minha vida – um término de casamento, uma mudança no trabalho – e que impactaram, inclusive, no meu modo de pensar e de ver a vida.

Essas decisões me levaram a diminuir o ritmo de viagens esse ano e até não aparecer tanto por aqui e nas demais redes sociais do Viagens no Divã – até porque eu precisei de tempo para pensar, me reorganizar, arrumar a minha própria bagagem interna – deixando pra trás os pesos que já não eram mais necessários. E nesse período em que não pude viajar tanto, me dei conta de que elas não são mais uma necessidade na minha vida.

Eu não estou dizendo aqui que vou deixar de viajar – de maneira alguma! Eu continuo amando fazer isso, pesquisar sobre os lugares que quero conhecer, montar roteiros, vivenciar o local, aprender com o novo. Se eu puder viajar, que coisa boa, vou aproveitar muito, mas se eu não puder, não tem problema, eu estou curtindo muito o que estou vivendo nesse momento, a minha vida em todos os sentidos e em qualquer lugar – seja do outro lado do mundo ou no meu próprio lar.

Não quero utilizar as viagens como uma maneira de fugir de uma parte de mim mesma, mas, sim, de encontrar outras partes. A minha realidade, o que eu vivo aqui, o que eu sou e trago dentro de mim é o que tenho de melhor e mais importante. As viagens são um diferencial, que tornarão a minha vida ainda mais colorida, divertida, trarão aprendizados. Quero sempre permanecer com esse espírito curioso, aventureiro, desbravador, mas com a certeza de que estando aqui, ou estando lá fora, eu estou bem. E de que, quando voltar, eu continuarei feliz e certa das minhas escolhas.

Por isso, quero aproveitar para desejar a você, leitor, que em 2020 possa fazer as escolhas necessárias para modificar a sua vida, tornar consciente os seus sentimentos e viver de acordo com aquilo que faz sentido para si mesmo, que possa perceber o quanto as mudanças podem te fazer mais forte. E a vida é isso, se jogar nas experiências sem medo. Você pode tropeçar, pode errar, mas vai escrever a sua própria história, com aprendizados que vão auxiliar na conquista daquilo que você realmente quer.

Decida tomar as rédeas da sua própria vida, decida lutar pelo que realmente quer, decida ser feliz! Aliás, ser feliz é uma consequência de atitude, de ousadia, de coragem. E é isso o que torna a vida linda de ser vivida!

Que venham, sim, novas e muitas viagens – para nós – e que elas sejam sempre muito bem aproveitadas! E, no fim, que sintamos sempre muito prazer e alegria em retornar para casa, com boas lembranças para compartilhar.


Finalizando 2019, curtindo as belezas da Praia de Bombas, Bombinhas, Santa Catarina


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